Vamos começar a escrever a nossa web novela?
-Eu estou feliz por velo de novo.
-Digo o mesmo Favo de mel.
Ele a abraçou de modo decidido e forte e a deixou ate sem
folego. Algumas coisas poderiam até ter mudado, mas seria sempre a ‘Favo de
mel’ pra Guy apelido que o amigo lhe dera quando, crianças alegres, haviam
encontrado uma colmeia em uma velha arvore tentado tirar o mel, mas um urso os
escorregara, fazendo-os correr quilômetros aos gritos.
Era típico de Guy
aparecer quando ela se sentia perdida e ansiosa por causa do casamento de
Penny. Apesar dos anos que passara educando seis irmos mais novos, ainda
sonhava em ser mãe. Era óbvio que para tornar o sonho realidade, precisava de
um marido, mas os homens nunca costumavam interessar-se por Hannah Rafferty.
Era deprimente pra Hannah. Queria tanto ter sua própria família!
Tentava não pensar na solidão, mas a comoção em torno do casamento de Penny não
a deixava esquecer a realidade.
-Acho que já vou-disse Toby.
Hannah piscou diversas vezes, retornando ao momento presente, e
apontou para os enfeites cor-de-rosa no salão.
Não vai ficar para a
festa, Toby? Há comida de sobra.
-Não. Estou organizando a serenata para Joe e Penny, e preciso pôr
tudo em ordem.
Guy ergueu as sobrancelhas, repetindo:
-Serenata?
Hannah arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha, e deu de
ombros. Em geral não prestava muita atenção na própria aparência, mas no
momento desejou estar usando algo mais feminino do que uma calça jeans e camiseta
tão surrada. A última vez que Guy a viu era uma meninas de 15 anos e busto
achatado tentando fazer o irmão caçula comer ervilhas sem cuspi-las no seu
rosto. Não tinha ilusões sobre sua beleza mais gostaria de estar mais
apresentável.
-E provável que não se lembre-murmurou dirigindo-se a Guy. -É um
velho costume os homens ao homens organizam uma espécie de serenata para os
noivos na noite de núpcias, provocando um barulho infernal para... Bem... impedi-los
de... Você sabe o quê.
-Lembro muito bem, mas Joe e Penny estão muito velhos para esse
tipo de coisa.
-É tudo uma brincadeira e Penny esta louca para ter a serenata
dela também.
-Ora! nunca pensei que ela fosse romântica.
Todas as mulheres são seu bobo, pensou Hannah sentindo uma
enorme inexplicável irritação. Entretanto, Guy não soubesse disso. Todos em
Quicksilver a provocavam pelo fato de ser a ultima moça solteira da cidade,
achando que era pratica e fria demais. Ás
vezes a própria Hannah imaginava se não teria uma tabuleta escrita na testa e
que só as outras pessoas viam: ”Hannah a comportada”.
Cerrando os lábios correu para limpar a mesa do Toby antes da
chegada dos convidados em especial para manter-se ocupada. Desejava perguntar
pelo menino pequeno que Guy trouxera, mas imaginou que isso seria explicado há
seu tempo. Abaixando-se para pegar a colher que caíra, encarou criança e
sorriu. O garotinho a olhou com ar seria, desceu da cadeira e foi agarrar-se a
calça do pai. Hannah sentiu a angustia crescer dentro de si. Todos haviam
seguidos suas vidas com suas vidas, e lá estava ela, no mesmo lugar onde sempre
estivera.
-Papai.
-Tudo bem, Jaime.
Guy inclinou-se e voltou a tomar o filho nos braços. Lutara
tanto para conseguir a custodia do menino, pensou que ás vezes temia deixa-lo
fora de suas vistas por alguns minutos. Jamie pôs o dedo na boca, e encarou
Hannah com a franqueza própria das crianças. Guy não podia chamar-lhe a atenção,
porque ele mesmo não parara de olha-la, desde que entrara no restaurante.
Hannah Rafferty mudara muito! Lembrava-se de uma garota de cabelos louros que
esvoaçavam ao vento e que brincava com os meninos, mas, no momento, via-se
diante de uma mulher com expressivos olhos esverdeados e um corpo lindo. Muito
lindo...
Comporta-se, Guy, disse a si mesmo, tentando dominar uma súbita
excitação física. Não fora para isso que voara ate Quicksilver, tentou
lembrar-se. Retornara porque precisa da ajuda de Hannah, que era uma boa amiga
e a única mulher em quem confiava.
Sorria intimamente. Hannah Não era uma mulher quando partira,
mas sem duvida continuava íntimos.
-Por que está sorrindo?-perguntou ela
-Lembrei-me do boneco de neve que pintamos de verde e enfeitamos
com um chapéu de bruxa
-E a professora nos deixou de castigo— E a professora nos deixou
de castigo.
Hannah riu, e Guy adorou ver o rubor em seu rosto. Talvez fosse
a única mulher no mundo que conservava pureza ao ponto de enrubescer.
Depois de um casamento desastroso, Guy
jurara a si mesmo nunca mais cair na armadilha, mas Jamie mudara tudo.
Precisava de uma esposa para fortalecer sua posição legal, caso houvesse mais
uma batalha pela custódia do filho. Além disso, o menino precisava de uma mãe.
Hannah era a solução para os dois problemas.
Guy pensara nisso com
muito cuidado. Hannah fora criada no Alasca, e era ótima com crianças, pois
assumira a família aos catorze anos, quando a mãe morrera.
Os dois tinham sido muito amigos na infância, e Guy sabia que
entenderia a importância da situação.
Enquanto ele matutava
sobre seu plano, Hannah aproximou-se de Jamie.
— Como vai? Sou Hannah. E
você?
— Jamie, e tenho quatro
anos — respondeu o garotinho, erguendo cinco dedos.
Hannah fechou-lhe o polegar com delicadeza
-Um, dois, três, quatro. Viu?
Gostaram?
Beijão
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